D.
MARIA II
Selos
impressos na Casa da Moeda, cunhados em relevo, em folhas de 24
selos (4x6), com desenho e gravuras de Francisco Borja Freire,
cujas iniciais – F.B.F. –, em relevo, foram impressas em
branco na parte inferior da efígie. Goma amarelada e baça.
Selos não denteados, impressos em papel liso, de espessura média,
espessa ou fina.
1
– 01 Jul. – 5 reis. Cores: castanho avermelhado; castanho
amarelado. Tiragem estimada 2.294.112.
Desta
taxa não é conhecido o paradeiro da “matriz” nem do
“cunho de serviço” (extraviados ou destruídos) utilizado
na impressão dos selos originais. Pela observação e exame dos
selos existentes parece ser de concluir que, para a sua impressão
foram utilizados dois cunhos distintos, uma vez que não parece
possível que algumas das diferenças observadas entre os Tipos
I e II se tenha ficado a dever a retoques do cunho I desgastado:
no cunho I contam-se 14 pérolas na parte superior do diadema,
enquanto que no cunho II se contam 10/11 pérolas; a distância
entre a parte mais elevada (saliente no cunho I) no diadema e as
pérolas da cercadura circular é de cerca de 0,5 mm no cunho I
e de cerca de 1 mm no cunho II. Dado que a altura do diadema é
a mesma em ambos os cunhos (cerca de 1 mm), a diferença das
distâncias às pérolas (0,5 e 1 mm) não pode ser atribuída
ao desgaste/retoque do cunho I, mas sim a um novo cunho (II),
com o qual, na altura, então já bastante desgastado, terão
sido feitas as reimpressões de 1863. Foi aceite a existência
de três tipo básicos: cunhos I e II e cunho III para as
reimpressões de 1885 e seguintes.
a)
– Tipo I (cunho I), papel médio espesso ou
fino. Cunho só utilizado nos selos originais. Nos arabescos,
junto à cercadura curva dos 4 cantos: pequenas linhas em ângulo
aberto em forma de “boomerang” e, junto à parte recta da
cercadura, pequenas linhas, a meio, separadas do corpo dos
arabescos. A ponta da trança, em caracol, está completa e é
bem nítida. O “O” final de CORREIO não toca, normalmente,
na cercadura interior. A ponta do diadema é saliente. Além
destas diferenças, ter em conta as já referidas.
1a.
1 – castanho vermelho
1a.
11 – papel fino
1a.
2 – castanho
1a.
21 – papel fino
1a.
3 – cunho cansado
1a.
31 – papel fino
1a.
4 – dupla impressão
b)
– Tipo II (cunho II), papel médio espesso
ou fino. Cunho utilizado nos selos originais e reimpressões de
1863. Nos arabescos, junto à cercadura curva dos 4 cantos:
pequenas linhas com ligeira curvatura , a meio, em vez de forma
de “boomerang”, e as pequenas linhas ligadas ao corpo dos
arabescos, em vez de separadas, como acontecia no Tipo I. A
ponta da trança é mais curta, sem ziguezagues do Tipo I. Cabeça
mais pequena e contornos do carrapito mais recortados. O “O”
final de CORREIO toca na moldura. A ponta do diadema não é
saliente, como no cunho I. Ter em conta as diferenças já atrás
referidas.
1b.
1 – castanho vermelho
1b.11
– papel fino
1b.
2 – castanho amarelado
1b.
3 – cunho cansado
1b.
31 – papel fino
1b.
4 – dupla impressão
2
– 01 Jul. – 25 reis. Cores: azul claro; azul escuro; azul
esverdeado. Tiragem estimada 4.888.729.
As
características da “matriz” e do “punção” existentes
na Casa da Moeda, mostram que os selos originais não foram
impressos com este cunho, que só foi utilizado, mais tarde, nas
reimpressões de 1885 e posteriores. Assim, é de concluir que
os cunhos de serviço desta taxa se extraviaram, tal como
aconteceu com os do selo de 5 reis. Face ao exame dos exemplares
conhecidos, concluiu-se pela existência de três Tipos
distintos:
a)
– Tipo I (cunho I), papel médio ou espesso.
Cunho utilizado nos selos originais. As “fitas” superior e
inferior, são mais pequenas (em comprimento e largura). Na fita
superior, o “C” e o último “O” de CORREIO e, na
inferior, o “2” de 25 e o “S” de REIS, estão mais próximos
dos extremos. A distância entre os extremos do eixo horizontal
da oval envolvente da efígie e a cercadura exterior é de cerca
½ mm.
2a.
1 – azul claro
2a.
2 – azul escuro
2a.
3 – azul esverdeado
b)
– Tipo II (cunho I retocado), papel médio
ou espesso. Cunho utilizado nos selos originais e reimpressões
de 1863. Diferenças em relação ao Tipo I: Na burilagem
as linhas são mais grossas, do que resulta estarem mais próximas
umas das outras; iniciais F.B.F. mais nítidas; por vezes,
pequenos pontos brancos em frente da efígie e pequena fenda na
cercadura exterior do lado direito, resultante de imperfeição
do cunho. Pérolas parecem mais pequenas, afastadas umas das
outras.
2b.
1 – azul
2b.
2 – azul escuro
2b.
3 – dupla impressão (do relevo ou da cor)
c)
– Papel fino
2c.
1 – azul
2c.
11 – dupla impressão
2c.
2 – azul claro
2c.
3 – azul escuro
2c.
31 – dupla impressão
3
– 21 Jul. – 50 reis. Cores: verde; verde amarelo; verde
azul. Papéis: médio ou espesso. Tiragem estimada 179.400.
Desta
taxa é conhecida apenas um único Tipo. Dada a sua pequena
tiragem é de presumir que apenas tenha sido feito um cunho de
serviço, com o qual foram impressos, tanto os originais como
todas as reimpressões. Quanto a imperfeições do cunho estão
referenciadas duas pequenas falhas na linha da cercadura
exterior: no canto superior direito, junto ao último “O” de
CORREIO e, no lado inferior, por baixo do algarismo “5”. Os
selos originais podem ter, uma, duas, ou nenhuma destas falhas.
3.1
– verde amarelo (papel espesso)
3.2
– verde
3.3
– verde azulado
3.4
– dupla impressão (da cor)
4
– 02 Jul. – 100 reis. Cores: lilás; lilás malva. Papéis:
médio, espesso ou fino. Tiragem estimada: 147.600.
Desta
taxa também é conhecido apenas um Tipo e, consequentemente, um
só cunho de serviço, pelo que se aplicam, na generalidade, as
mesmas considerações feitas sobre o selo de 50 reis. No
respeitante a características especiais, resultantes dos
diferentes estados do cunho, encontram-se referenciadas as
seguintes: empastamento da tinta, em maior ou menor grau, nos
contornos laterais da cercadura exterior mais próximos da
margem direita do papel (originais e reimpressões de 1863,
1885, 1905 e 1928); o mesmo empastamento, na margem esquerda,
somente nas reimpressões de 1863, 1885, 1905 e 1928; pequena
fenda na linha da cercadura exterior envolvente do número 100
do lado direito, junto ao ornato inferior (reimpressão de 1905,
1928 e 1953). Não são conhecidos defeitos de impressão.
4.1
– lilás
4.11
– papel fino
4.2
– lilás claro
4.3
– lilás malva (papéis médio ou espesso)
Reimpressões Oficiais dos selos de D.
Maria II – 1863, 1885, 1905 e 1953
a
- 1863
– 04 Dez. (data em que foram entregues nos Correios), em papel
branco (mais claro e fino, e de textura menos compacta do que o
dos originais), goma fina, branca e brilhante.
R1.a
– 5 reis, castanho (Tipo II). Impresso com o cunho
original. O cunho utilizado (cunho II retocado ou cunho I com 2º
retoque) estava muito desgastado, do que resultou uma impressão
muito grosseira, especialmente das letras de CORREIO, em que o
“C” e o último “O” tocam o friso da moldura e, ainda,
um efígie notoriamente mais pequena, com a maçã de Adão
muito saliente, trança reduzida a uma pequena ponta em forma de
gancho, virado para dentro, e contorno do carrapito (parte
posterior do cabelo) muito recortado. As pérolas que circundam
a efígie são mais grossas, tocando-se entre si.
R1.a1
– castanho
R1.a2
– castanho bistre
R2.a
– 25 reis, azul (Tipo II). Impresso com o cunho original.
O cunho utilizado (cunho I retocado) estava muito desgastado,
bastante mais do que quando utilizado para a impressão dos
selos originais do Tipo II, do que resultou uma impressão mais
grosseira, especialmente no lado direito, junto aos ângulos
superior e inferior, onde as linhas da burilagem estão
partidas, e com empastamento de tinta azul.
R2.a
– azul escuro
R3.a
– 50 reis, verde. Impresso com o cunho original, que
mostra uma pequena falha na linha diagonal do lado direito,
junto ao último “O” de CORREIO, e uma outra, na parte
inferior da cercadura, entre o “5” e o “0” de 50. Não
de vêem as iniciais F.B.F.
R3.a
– verde amarelo
R4.a
– 100 reis, lilás. Impresso com o cunho original. Difícil
de distinguir dos selos originais, a não ser pelo papel e pela
goma. As pequenas linhas verticais laterais da cercadura
exterior, em cima e em baixo, do lado direito e, ou do esquerdo,
com tinta empastada, poderão ser um sinal de que se trata de
uma reimpressão de 1863.
R4.a
– lilás
b)
– 1885 – Papel espesso, muito branco, leitoso e
acetinado, de textura compacta e uniforme. Cores diferentes dos
originais. Normalmente não gomados, Alguns exemplares foram
gomados posteriormente.
R1.b
– 5 reis, castanho (Tipo III). Impresso com um novo cunho
(cunho III). Os arabescos são mais perfeitos no recorte. Cabeça
da efígie do tamanho normal e sem a ponta da trança, em forma
de caracol, na nuca.
R1b1
– castanho escuro
R1b2–
castanho bistre
R2.b
– 25 reis, azul (Tipo III). Impresso com um novo cunho
(cunho III), de linhas finas. O contorno da efígie são muito
semelhantes ao original. As fitas, superior e inferior, são
maiores (em comprimento e largura), ficando os “C” e “O”
de CORREIO, e “2” e “S” de “25 reis” mais afastados
dos seus extremos. A distância entre os extremos do eixo
horizontal da oval envolvente da efígie e a cercadura exterior
é de cerca de ¾ mm. Faltam as iniciais F.B.F.. Imperfeições
do cunho: saliências na fita superior, por cima do último
“O” e entre o “E” e o “I” de CORREIO; reentrância
na fita inferior, por cima do “S” de REIS.
R2.b
– azul claro
R3.b
– 50 reis, verde. Impresso com o cunho original.
Distinguem-se dos selos originais, principalmente, pelo papel e
pela cor (brilhante). As falhas na cercadura, referidas na
reimpressão de 1863 (R3.1), podem não ser visíveis, (retoques
no cunho). Não se vêem as iniciais F.B.F..
R3.b
– verde amarelo
R4.b
– 100 reis, lilás. Impresso com o cunho original.
Distinguem-se dos selos originais, principalmente, pelo papel e
pela cor (brilhante). O empastamento de tinta nas linhas
laterais da cercadura, no lado direito, também acontece em
alguns originais (últimas impressões), assim como nas
reimpressões de 1863, 1905 e 1928. O mesmo empastamento no lado
esquerdo, não aparece nos originais, mas aparece em todas as
reimpressões, com excepção da de 1953.
R4.b
– lilás
c)
– 1905 – Papel ordinário, baço, levemente amarelado,
de espessura média e textura irregular. As cores têm pouco
brilho, em geral com tonalidade mortiça. A goma é fina e
levemente amarelada.
R1.c
– 5 reis, castanho (Tipo III). Impresso com o mesmo cunho
da reimpressão de 1885, pelo que apresenta
características muito semelhantes. No entanto a sua aparência
é muito diferente. Distingue-se, principalmente, pelo papel e
pela cor. A impressão é menos perfeita.
R1.c
– castanho escuro
R2.c
– 25 reis, azul (Tipo III). Impresso com o mesmo cunho da
reimpressão de 1885, pelo que apresenta características muito
semelhantes. Distingue-se, principalmente, pelo papel e pela
cor. A impressão é menos perfeita.
R2.c
– azul claro
R3.c
– 50 reis, verde. Impresso com o cunho original.
Distingue-se pelos pormenores já referidos atrás, e pela ausência
da fenda na linha diagonal do lado direito, junto ao “O” de
CORREIO.
R3.c
– verde amarelo
R4.c
– 100 reis, lilás. Impresso com o cunho original.
Distingue-se pelos pormenores já referidos atrás e ainda por
uma pequena fenda na linha de cercadura exterior, do lado
direito, perto do ornato a meio, abaixo do último “0” de
100.
R4.c
– lilás
d)
- 1953 - Out.
– Papel branco, espesso, de textura uniforme. Selos não
gomados. Para a impressão das taxas de 5 e 25 reis, foram
utilizados os cunhos das reimpressões de 1885, e, para as taxas
de 50 e 100 reis, os cunhos originais. No verso foram impressas,
a cinzento, em duas linhas, as datas 1853 e 1953 sobrepostas. Os
selos com estas datas impressas numa única linha, separadas por
um “-“ (1853-1953), foram retiradas do livro “100 Anos do
Selo do Correio Português”, editado pela Administração dos
CTT. Estes últimos distinguem-se dos primeiros, não só pelo
pormenor das datas, como também pela qualidade do papel, que é
“couché” brilhante, e pelas suas dimensões (mais
pequenos).
R1.d
– 5 reis, castanho claro
R2.d
– 25 reis, azul escuro
R3.d
– 50 reis, verde
R4.d
– 100 reis, lilás
Reimpressões não Oficiais (NO) dos
selos de D. Maria II
NO1
– Reimpressões de 1928
Não é conhecida a finalidade nem qualquer
documento oficial que determine ou que, no mínimo, autorize
estas reimpressões, pelo que elas são conhecidas por
“Reimpressões Particulares de 1928”. Presume-se que estes
selos tenham sido impressos na Casa da Moeda, com os cunhos
utilizados nas reimpressões de 1905, para que, certamente,
teria sido necessária uma autorização superior, a não ser
que tenham sido impressos clandestinamente. Os selos foram
impressos em papel muito fino e de textura que se pode
considerar como sendo pontinhado. A goma é branca e brilhante.
As margens são grandes. Além do papel, pontinhado, as cores são
também uma característica peculiar destas reimpressões.
R1.NO1
– 5 reis, castanho amarelado
R2.NO11
– 25 reis, azul claro
R2.NO12
– 25 reis, azul escuro
R3.NO11
– 50 reis, verde amarelo
R3.NO12
– 50 reis, verde azul
R3.NO11
– 100 reis, lilás
R3.NO12
– 100 reis, lilás claro
R3.NO13
– 100 reis, lilás escuro
Além
das reimpressões atrás referidas, que são do conhecimento
geral, consta que existe mais uma, mencionada no Catálogo de
1985, editado por NUMISMÁTICA e FILATELIA, Lda, “casa” que
esteve sediada na Rua do Carmo, n.º 98 em Lisboa, com informação
que é suposto ter sido fornecida pelo grande filatelista, já
falecido, António Pimentel Saraiva, senhor de vastos e
profundos conhecimentos de tudo o que se refere à Filatelia,
especialmente de selos de Portugal e ex-Colónias, em que se
tornou um acreditado perito. Assim, parece ser de crer na
veracidade desta reimpressão.
NO2
– Reimpressões de 1874 (?)
Em
comemoração da Exposição Industrial, que se terá realizado
por volta de 1874, em Lisboa, a Casa da Moeda terá ordenado a
reimpressão dos selos de D. Maria II a seguir indicados, de que
não haveria em depósito quantidades suficientes. Impressão
feita em papel espesso, com goma branca e baça.
R1.NO2
– 5 reis, castanho vermelho
R2.NO2
– 25 reis, azul
R4.NO2
– 100 reis, lilás
|