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BOLETIM DO CLUBE FILATÉLICO DE PORTUGAL

Nº 398 - Dezembro de 2002

UM ESTUDO DOS SELOS DE D. MARIA II

1853 - 01Jul-21Jul

Cor. João A. Fernandes Bastos

D. MARIA II

Selos impressos na Casa da Moeda, cunhados em relevo, em folhas de 24 selos (4x6), com desenho e gravuras de Francisco Borja Freire, cujas iniciais – F.B.F. –, em relevo, foram impressas em branco na parte inferior da efígie. Goma amarelada e baça. Selos não denteados, impressos em papel liso, de espessura média, espessa ou fina.

1 – 01 Jul. – 5 reis. Cores: castanho avermelhado; castanho amarelado. Tiragem estimada 2.294.112.

Desta taxa não é conhecido o paradeiro da “matriz” nem do “cunho de serviço” (extraviados ou destruídos) utilizado na impressão dos selos originais. Pela observação e exame dos selos existentes parece ser de concluir que, para a sua impressão foram utilizados dois cunhos distintos, uma vez que não parece possível que algumas das diferenças observadas entre os Tipos I e II se tenha ficado a dever a retoques do cunho I desgastado: no cunho I contam-se 14 pérolas na parte superior do diadema, enquanto que no cunho II se contam 10/11 pérolas; a distância entre a parte mais elevada (saliente no cunho I) no diadema e as pérolas da cercadura circular é de cerca de 0,5 mm no cunho I e de cerca de 1 mm no cunho II. Dado que a altura do diadema é a mesma em ambos os cunhos (cerca de 1 mm), a diferença das distâncias às pérolas (0,5 e 1 mm) não pode ser atribuída ao desgaste/retoque do cunho I, mas sim a um novo cunho (II), com o qual, na altura, então já bastante desgastado, terão sido feitas as reimpressões de 1863. Foi aceite a existência de três tipo básicos: cunhos I e II e cunho III para as reimpressões de 1885 e seguintes.

a)  Tipo I (cunho I), papel médio espesso ou fino. Cunho só utilizado nos selos originais. Nos arabescos, junto à cercadura curva dos 4 cantos: pequenas linhas em ângulo aberto em forma de “boomerang” e, junto à parte recta da cercadura, pequenas linhas, a meio, separadas do corpo dos arabescos. A ponta da trança, em caracol, está completa e é bem nítida. O “O” final de CORREIO não toca, normalmente, na cercadura interior. A ponta do diadema é saliente. Além destas diferenças, ter em conta as já referidas.

1a. 1 – castanho vermelho

1a. 11 – papel fino

1a. 2 – castanho

1a. 21 – papel fino

1a. 3 – cunho cansado

1a. 31 – papel fino

1a. 4 – dupla impressão

b) Tipo II (cunho II), papel médio espesso ou fino. Cunho utilizado nos selos originais e reimpressões de 1863. Nos arabescos, junto à cercadura curva dos 4 cantos: pequenas linhas com ligeira curvatura , a meio, em vez de forma de “boomerang”, e as pequenas linhas ligadas ao corpo dos arabescos, em vez de separadas, como acontecia no Tipo I. A ponta da trança é mais curta, sem ziguezagues do Tipo I. Cabeça mais pequena e contornos do carrapito mais recortados. O “O” final de CORREIO toca na moldura. A ponta do diadema não é saliente, como no cunho I. Ter em conta as diferenças já atrás referidas.

1b. 1 – castanho vermelho

1b.11 – papel fino

1b. 2 – castanho amarelado

1b. 3 – cunho cansado

1b. 31 – papel fino

1b. 4 – dupla impressão

2 – 01 Jul. – 25 reis. Cores: azul claro; azul escuro; azul esverdeado. Tiragem estimada 4.888.729.

As características da “matriz” e do “punção” existentes na Casa da Moeda, mostram que os selos originais não foram impressos com este cunho, que só foi utilizado, mais tarde, nas reimpressões de 1885 e posteriores. Assim, é de concluir que os cunhos de serviço desta taxa se extraviaram, tal como aconteceu com os do selo de 5 reis. Face ao exame dos exemplares conhecidos, concluiu-se pela existência de três Tipos distintos:

a)  Tipo I (cunho I), papel médio ou espesso. Cunho utilizado nos selos originais. As “fitas” superior e inferior, são mais pequenas (em comprimento e largura). Na fita superior, o “C” e o último “O” de CORREIO e, na inferior, o “2” de 25 e o “S” de REIS, estão mais próximos dos extremos. A distância entre os extremos do eixo horizontal da oval envolvente da efígie e a cercadura exterior é de cerca ½ mm.

2a. 1 – azul claro

2a. 2 – azul escuro

2a. 3 – azul esverdeado

b) Tipo II (cunho I retocado), papel médio ou espesso. Cunho utilizado nos selos originais e reimpressões de 1863. Diferenças em relação ao Tipo I: Na burilagem as linhas são mais grossas, do que resulta estarem mais próximas umas das outras; iniciais F.B.F. mais nítidas; por vezes, pequenos pontos brancos em frente da efígie e pequena fenda na cercadura exterior do lado direito, resultante de imperfeição do cunho. Pérolas parecem mais pequenas, afastadas umas das outras.

2b. 1 – azul

2b. 2 – azul escuro

2b. 3 – dupla impressão (do relevo ou da cor)

c) Papel fino

2c. 1 – azul

2c. 11 – dupla impressão

2c. 2 – azul claro

2c. 3 – azul escuro

2c. 31 – dupla impressão

3 – 21 Jul. – 50 reis. Cores: verde; verde amarelo; verde azul. Papéis: médio ou espesso. Tiragem estimada 179.400.

Desta taxa é conhecida apenas um único Tipo. Dada a sua pequena tiragem é de presumir que apenas tenha sido feito um cunho de serviço, com o qual foram impressos, tanto os originais como todas as reimpressões. Quanto a imperfeições do cunho estão referenciadas duas pequenas falhas na linha da cercadura exterior: no canto superior direito, junto ao último “O” de CORREIO e, no lado inferior, por baixo do algarismo “5”. Os selos originais podem ter, uma, duas, ou nenhuma destas falhas.

3.1 – verde amarelo (papel espesso)

3.2 – verde

3.3 – verde azulado

3.4 – dupla impressão (da cor)

4 – 02 Jul. – 100 reis. Cores: lilás; lilás malva. Papéis: médio, espesso ou fino. Tiragem estimada: 147.600.

Desta taxa também é conhecido apenas um Tipo e, consequentemente, um só cunho de serviço, pelo que se aplicam, na generalidade, as mesmas considerações feitas sobre o selo de 50 reis. No respeitante a características especiais, resultantes dos diferentes estados do cunho, encontram-se referenciadas as seguintes: empastamento da tinta, em maior ou menor grau, nos contornos laterais da cercadura exterior mais próximos da margem direita do papel (originais e reimpressões de 1863, 1885, 1905 e 1928); o mesmo empastamento, na margem esquerda, somente nas reimpressões de 1863, 1885, 1905 e 1928; pequena fenda na linha da cercadura exterior envolvente do número 100 do lado direito, junto ao ornato inferior (reimpressão de 1905, 1928 e 1953). Não são conhecidos defeitos de impressão.

4.1 – lilás

4.11 – papel fino

4.2 – lilás claro

4.3 – lilás malva (papéis médio ou espesso)

Reimpressões Oficiais dos selos de D. Maria II – 1863, 1885, 1905 e 1953

a -  1863 – 04 Dez. (data em que foram entregues nos Correios), em papel branco (mais claro e fino, e de textura menos compacta do que o dos originais), goma fina, branca e brilhante.

R1.a – 5 reis, castanho (Tipo II). Impresso com o cunho original. O cunho utilizado (cunho II retocado ou cunho I com 2º retoque) estava muito desgastado, do que resultou uma impressão muito grosseira, especialmente das letras de CORREIO, em que o “C” e o último “O” tocam o friso da moldura e, ainda, um efígie notoriamente mais pequena, com a maçã de Adão muito saliente, trança reduzida a uma pequena ponta em forma de gancho, virado para dentro, e contorno do carrapito (parte posterior do cabelo) muito recortado. As pérolas que circundam a efígie são mais grossas, tocando-se entre si.

R1.a1 – castanho

R1.a2 – castanho bistre

R2.a – 25 reis, azul (Tipo II). Impresso com o cunho original. O cunho utilizado (cunho I retocado) estava muito desgastado, bastante mais do que quando utilizado para a impressão dos selos originais do Tipo II, do que resultou uma impressão mais grosseira, especialmente no lado direito, junto aos ângulos superior e inferior, onde as linhas da burilagem estão partidas, e com empastamento de tinta azul.

R2.a azul escuro

R3.a – 50 reis, verde. Impresso com o cunho original, que mostra uma pequena falha na linha diagonal do lado direito, junto ao último “O” de CORREIO, e uma outra, na parte inferior da cercadura, entre o “5” e o “0” de 50. Não de vêem as iniciais F.B.F.

R3.a – verde amarelo

R4.a – 100 reis, lilás. Impresso com o cunho original. Difícil de distinguir dos selos originais, a não ser pelo papel e pela goma. As pequenas linhas verticais laterais da cercadura exterior, em cima e em baixo, do lado direito e, ou do esquerdo, com tinta empastada, poderão ser um sinal de que se trata de uma reimpressão de 1863.

R4.a – lilás

b) – 1885 – Papel espesso, muito branco, leitoso e acetinado, de textura compacta e uniforme. Cores diferentes dos originais. Normalmente não gomados, Alguns exemplares foram gomados posteriormente.

R1.b – 5 reis, castanho (Tipo III). Impresso com um novo cunho (cunho III). Os arabescos são mais perfeitos no recorte. Cabeça da efígie do tamanho normal e sem a ponta da trança, em forma de caracol, na nuca.

R1b1 – castanho escuro

R1b2– castanho bistre

R2.b – 25 reis, azul (Tipo III). Impresso com um novo cunho (cunho III), de linhas finas. O contorno da efígie são muito semelhantes ao original. As fitas, superior e inferior, são maiores (em comprimento e largura), ficando os “C” e “O” de CORREIO, e “2” e “S” de “25 reis” mais afastados dos seus extremos. A distância entre os extremos do eixo horizontal da oval envolvente da efígie e a cercadura exterior é de cerca de ¾ mm. Faltam as iniciais F.B.F.. Imperfeições do cunho: saliências na fita superior, por cima do último “O” e entre o “E” e o “I” de CORREIO; reentrância na fita inferior, por cima do “S” de REIS.

R2.b – azul claro

R3.b – 50 reis, verde. Impresso com o cunho original. Distinguem-se dos selos originais, principalmente, pelo papel e pela cor (brilhante). As falhas na cercadura, referidas na reimpressão de 1863 (R3.1), podem não ser visíveis, (retoques no cunho). Não se vêem as iniciais F.B.F..

R3.b – verde amarelo

R4.b – 100 reis, lilás. Impresso com o cunho original. Distinguem-se dos selos originais, principalmente, pelo papel e pela cor (brilhante). O empastamento de tinta nas linhas laterais da cercadura, no lado direito, também acontece em alguns originais (últimas impressões), assim como nas reimpressões de 1863, 1905 e 1928. O mesmo empastamento no lado esquerdo, não aparece nos originais, mas aparece em todas as reimpressões, com excepção da de 1953.

R4.b – lilás

c) – 1905 – Papel ordinário, baço, levemente amarelado, de espessura média e textura irregular. As cores têm pouco brilho, em geral com tonalidade mortiça. A goma é fina e levemente amarelada.

R1.c – 5 reis, castanho (Tipo III). Impresso com o mesmo cunho da reimpressão de 1885, pelo que apresenta  características muito semelhantes. No entanto a sua aparência é muito diferente. Distingue-se, principalmente, pelo papel e pela cor. A impressão é menos perfeita.

R1.c – castanho escuro

R2.c – 25 reis, azul (Tipo III). Impresso com o mesmo cunho da reimpressão de 1885, pelo que apresenta características muito semelhantes. Distingue-se, principalmente, pelo papel e pela cor. A impressão é menos perfeita.

R2.c – azul claro

R3.c – 50 reis, verde. Impresso com o cunho original. Distingue-se pelos pormenores já referidos atrás, e pela ausência da fenda na linha diagonal do lado direito, junto ao “O” de CORREIO.

R3.c – verde amarelo

R4.c – 100 reis, lilás. Impresso com o cunho original. Distingue-se pelos pormenores já referidos atrás e ainda por uma pequena fenda na linha de cercadura exterior, do lado direito, perto do ornato a meio, abaixo do último “0” de 100.

R4.c – lilás

d) - 1953 -  Out. – Papel branco, espesso, de textura uniforme. Selos não gomados. Para a impressão das taxas de 5 e 25 reis, foram utilizados os cunhos das reimpressões de 1885, e, para as taxas de 50 e 100 reis, os cunhos originais. No verso foram impressas, a cinzento, em duas linhas, as datas 1853 e 1953 sobrepostas. Os selos com estas datas impressas numa única linha, separadas por um “-“ (1853-1953), foram retiradas do livro “100 Anos do Selo do Correio Português”, editado pela Administração dos CTT. Estes últimos distinguem-se dos primeiros, não só pelo pormenor das datas, como também pela qualidade do papel, que é “couché” brilhante, e pelas suas dimensões (mais pequenos).

R1.d – 5 reis, castanho claro

R2.d – 25 reis, azul escuro

R3.d – 50 reis, verde

R4.d – 100 reis, lilás

Reimpressões não Oficiais (NO) dos selos de D. Maria II

NO1 – Reimpressões de 1928

Não é conhecida a finalidade nem qualquer documento oficial que determine ou que, no mínimo, autorize estas reimpressões, pelo que elas são conhecidas por “Reimpressões Particulares de 1928”. Presume-se que estes selos tenham sido impressos na Casa da Moeda, com os cunhos utilizados nas reimpressões de 1905, para que, certamente, teria sido necessária uma autorização superior, a não ser que tenham sido impressos clandestinamente. Os selos foram impressos em papel muito fino e de textura que se pode considerar como sendo pontinhado. A goma é branca e brilhante. As margens são grandes. Além do papel, pontinhado, as cores são também uma característica peculiar destas reimpressões.

R1.NO1 – 5 reis, castanho amarelado

R2.NO11 – 25 reis, azul claro

R2.NO12 – 25 reis, azul escuro

R3.NO11 – 50 reis, verde amarelo

R3.NO12 – 50 reis, verde azul

R3.NO11 – 100 reis, lilás

R3.NO12 – 100 reis, lilás claro

R3.NO13 – 100 reis, lilás escuro

Além das reimpressões atrás referidas, que são do conhecimento geral, consta que existe mais uma, mencionada no Catálogo de 1985, editado por NUMISMÁTICA e FILATELIA, Lda, “casa” que esteve sediada na Rua do Carmo, n.º 98 em Lisboa, com informação que é suposto ter sido fornecida pelo grande filatelista, já falecido, António Pimentel Saraiva, senhor de vastos e profundos conhecimentos de tudo o que se refere à Filatelia, especialmente de selos de Portugal e ex-Colónias, em que se tornou um acreditado perito. Assim, parece ser de crer na veracidade desta reimpressão.

NO2 – Reimpressões de 1874 (?)

Em comemoração da Exposição Industrial, que se terá realizado por volta de 1874, em Lisboa, a Casa da Moeda terá ordenado a reimpressão dos selos de D. Maria II a seguir indicados, de que não haveria em depósito quantidades suficientes. Impressão feita em papel espesso, com goma branca e baça.

R1.NO2 – 5 reis, castanho vermelho

R2.NO2 – 25 reis, azul

R4.NO2 – 100 reis, lilás

                                                                              

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