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CFP |
Clube Filatélico de Portugal |
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BOLETIM
DO CLUBE FILATÉLICO DE PORTUGAL Nº 398 - Dezembro de 2002 INDIA PORTUGUESA - Marcas Postais de DAMÃO e DIU Cor. Joaquim Dores |
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Como
complemento do apontamento anteriormente publicado e que referia apenas
as marcas postais utilizadas em Goa, vamos agora referir idêntico
assunto para os dois outros territórios que constituíam o Estado
Português da ÍNDIA: DAMÃO (com o seu “praganã de DADRÁ e NAGAR
AVELI) e DIU. No
entanto, iniciamos com uma pequena introdução histórica, retirada
duma publicação da autoria de J. A. Ismael Grácias, no ano de 1889,
que provavelmente não se encontrará à venda em qualquer livraria,
tanto de GOA, como de Lisboa, e cujo título era: “Memória Histórica-Económica
sobre os correios da Índia Portuguesa, escrita por ordem do Governador
de Sua Majestade”. Neste precioso documento onde Ismael Grácias faz
um profundo e minucioso estudo sobre os correios da Índia Portuguesa,
encontramos os elementos necessários à introdução pretendida para
este apontamento, no que diz respeito aos correios de DAMÃO, que como
todos sabemos, era inglês, com pessoal inglês e que funcionava com os
selos e marcas postais da Índia Inglesa! Diz-nos,
Ismael Grácias: “…Baldados têm
sido os esforços para encontrar nos arquivos de GOA e DAMÃO qualquer
vestígio da origem desta inconcebível excepção… Diz a tradição
que, pelos princípios do presente século, o governo da presidência de
BOMBAIM, propôs ao de GOA, o estabelecimento…, o que foi aceite pelo
governador Veiga Cabral, que mantinha as melhores relações etc., etc…
Em 1883 porém, o governador de DAMÃO António Sérgio de Sousa,
apresentou ao Governo Provincial a proposta para que o correio fosse
português… O assunto foi tratado com as autoridades inglesas,
primeiro com o Governador de BOMBAIM, Sir James Ferguson, que apresentou
ao Vice-Rei, Marquez de Ripon; este respondeu não ter dúvida alguma em
aceder ao pedido, e por isso, desde 1 de Abril de 1884 cessaria de
funcionar a estação postal inglesa de DAMÂO… Este procedimento
comprova a inexistência de qualquer documentação oficial a regular o
assunto, terminando assim, sem qualquer incidente, mas com a maior
inteligência, um vexame que, por quási um século, acompanhou a vida
deste estado”. É portanto natural que no período de 1854 quando a Índia inglesa começou a usar selos, até 1871, quando o Estado Português da Índia os começou também a usar, a correspondência de DAMÂO empregasse a conhecida marca postal, rectangular, de vértices arrendadas, que a seguir se apresenta, apenas para a marcação de cartas. |
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Se
eram precisos selos, seriam selos da Índia Inglesa que as cartas levavam,
obliterados por marcas postais da Índia Inglesa da época, que eram
formados por losangos de pontos ou de barras; o selo só era necessário
se a carta saísse do território português. A partir de 1871 esta estação
postal de DAMÃO, recebeu os nossos selos “nativos” que
obrigatoriamente se utilizavam nas cartas, e se o destino ultrapassasse as
fronteiras portuguesas, as cartas levavam o selo português e o selo inglês,
caso contrário seriam multadas. Há
portanto toda a probabilidade em se afirmar que esta estação postal
inglesa de DAMÃO, não fazia aquilo que queria, mas que também tinha em
atenção as directivas do Correio de Goa, naturalmente transmitidas pelo
Governo Distrital. Também
devemos admitir que esta estação postal teria um estatuto especial
apesar de estar dependente, por via da organização postal inglesa, da
Direcção do Correio de SURAT; não conhecemos qualquer correio de DAMÃO
com a marca de trânsito de SURAT e julgamos que as malas postais ou
seguiam por barco para BOMBAIM, por ser mais rápido, ou se seguiam por
terra iam fechadas e não havia qualquer triagem em SURAT, já que esta
cidade fica mais para Norte, enquanto BOMBAIM e GOA ficam para Sul. Nada
disto vimos escrito, tratando-se portanto duma suposição do autor, que não
exclue a possibilidade de qualquer outra solução. Voltemos
agora ao estudo de Guedes de Magalhães, mas com algumas alterações
devido a divergências constatadas entre Jal Cooper, guia de Guedes de
Magalhães, e W. Renouf, guia do autor destas linhas. É
fora de dúvida que estes selos “nativos” foram, desde o início da
sua impressão, vendidos ao público em DAMÃO, logo, desde 1854 até 1871
(Out.º) a correspondência levava selos da Índia Inglesa obliterados com
as marcas inglesas daquele período, que a seguir reproduzimos e
identificamos com as tipos que W. Renouf indica na sua obra “Early Índia
Cancellationa and Postamarks”, revista e melhorada mais tarde no Apêndice
I, incluído na Enciclopédia da autoria de Robson Lowe, Volume III, “ O
Império na Ásia “, 1855-1884, como de resto se nota na carta acima
apresentada: a marca rectangular, DAMAUN, incluindo a data, 25-1-55 e o
selo com a obliteração do Tipo (1), losango de pontos. |
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Este
Tipo era descrito como um “Lozenge-shaped stamp” ou um “diamond
of dots”, isto é um losango de pontos, em geral 9 linhas de 9
pontos; existiam no entanto muitas variedades, tanto o número de linhas
como no volume e formas de pontos, que não interessa aqui pormenorizar. Este
Tipo (1), acima representado, se bem que aparecendo em algumas Estações
durante vários anos, foi no entanto rapidamente substituído na maioria
delas pelo Tipo (2) que era outro losango, mas agora de barras, correndo
geralmente da direita para a esquerda, em relação à diagonal menor; há
exemplos de obliterações com variável número de barras (7 a 12) e também
correndo da esquerda para a direita: é variável, como no Tipo (1) a
espessura das barras e também a forma de losango, que quase chega a ser
circular, com diâmetro de 18 a 20 mm no Círculo Postal de MADRAS, O
Tipo (3), raríssimo, não interessa ao nosso apontamento. |
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É
evidente que qualquer daquelas obliterações não aparecem sobre selos
“nativos”, pois a sua duração foi curta; só no Tipo (4) que agora
apresentamos, se encontram exemplos oriundos de DAMÃO. Este Tipo (4) é
idêntico ao Tipo (2), mas com a seguinte diferença: no interior do
losango de barras aparecia o número atribuído à Estação Postal
expedidora: a DAMÃO correspondia, dentro do Círculo Postal de BOMBAIM o
número 13 e por isso o primeiro “nativo” com obliteração inglesa
tem a configuração que acima se apresentou. Este
Tipo foi utilizado desde 1855 até 1873; dentro de cada Círculo Postal
havia dezenas de Estações, com o respectivo número, por isso que é notável
a quantidade de variantes que este Tipo (IV) pode apresentar em toda a Índia
Inglesa. Deixemos
porém a organização inglesa, pois já dizia Guedes de Magalhães que “nada há mais difícil do que falar com precisão e correcção
acerca de carimbos da Índia Inglesa em cartas ou sobre selos do Estado da
Índia”; e se tocamos no assunto é apenas porque era inglesa, até
1884, a estação postal que funcionava em DAMÃO. Há portanto que esclarecer que no período de 1854 a 1871, a correspondência de DAMÃO, se levava selos, seriam da Índia Inglesa, obliterados pelos Tipo (1) ou (2) atrás referidos e, obrigatoriamente também a marca do carimbo rectangular, apresentado em fotocópia quando do início deste apontamento; se não levavam selo, levavam a marca de origem DAMAUN, rectangular, e o destinatário teria de pagar o porte. |
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A partir de 1871 (Outubro) a correspondência usava os selos
“nativos” e quando o destino obrigava ao trajecto por território inglês,
levava também o selo inglês da franquia regulamentar com já se disse,
mas a marcação das cartas passou a ter um novo carimbo, circular, com a
palavra DAMAUN a substituir parte do círculo, e com a data no interior,
como acima se mostra; era o Tipo (52) na classificação de W. Renouf;
aparecendo posteriormente outras variantes. Os Tipos (5), (6) e (7) pouco ou nada tinham a ver com o Círculo Postal de BOMBAIM independentemente das reorganizações e numeração das estações postais por forma a não haver repetições e imprecisões das marcas postais, por isso que só voltamos a encontrar selos nativos de DAMÃO obliterados com o Tipo (8) de W. Renouf, cujo modelo se apresenta e que continuava a usar o mesmo número 13 do Tipo (2), ainda que com formato diferente. |
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Esta obliteração foi usada durante vários anos, mas em 1873 era tal a diversidade de marcas postais nas Estações, que a Autoridade Postal Central da Índia Inglesa estudou novo modelo de carimbo, e tornou-o obrigatório em todas as estações postais, que W. Renouf classificou de Tipo (17), e que identificava, sem possíveis enganos, a origem da correspondência. |
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Ao
assunto, já fizemos anterior estudo pormenorizado no boletim n.º 367 de
Março de 1995 do Clube Filatélico de Portugal, cujo esqueleto
fundamental aqui representamos; não voltamos com mais detalhes e apenas
nos referimos ao que interessa à estação postal de DAMÃO, dada a
obrigatoriedade de usar aquela obliteração. Era
tanto eficaz como inestética e demasiada ampla, ultrapassando a superfície
de qualquer selo nativo e ainda por cima era do Tipo Duplex, isto é, no
lado esquerdo tinha um círculo com o nome da cidade e a data da expedição
e, no lado direito, a marca postal propriamente dita, que só por si,
ultrapassava a superfície do selo; nem todas as estações postais tinham
este carimbo da forma “duplex”, especialmente as que tinham pouco
movimento, havendo certas regras que obrigavam W. Renouf a considerar
variedades do Tipo (17), com as letras (a), (b), (c) e (d), consoante a
posição relativa dos números dentro do conjunto. Cabe aqui fazer uma anotação, ao reparo que Guedes de Magalhães faz da sua Separata, “desejando chamar a atenção para o caso curioso de Jal Cooper reproduzir o carimbo da Fig. A sobre um par de selos da Índia Inglesa, ao passo que nos temos visto o da Fig. B e que aquele não menciona”. |
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Apesar
de terem letras e números iguais, B, 19, 3, a posição relativa não é
a mesma, por isso que nada têm a ver uma com a outra, quanto à estação
postal emitente, sendo esta última marca originária da secção postal nº
3, da Estação Postal 19 – SURAT; não é para aqui chamada a estação
de DAMÃO; e como a marca estava sobre selos da Índia Inglesa, Jal Cooper
só estaria errado se afirmasse que a marca postal era proveniente de DAMÃO,
o que não é o caso. Devemos
contudo afirmar já termos visto publicada esta marca postal representada
em “duplex”, com o lado esquerdo circular indicando DAMAN, o que é de
todo impossível ou então estaria errada toda a “mecânica” da invenção
desta marca postal tipo (17), intitulada por W. Renouf como “The All –
Índia Séries of 1973-84). Diz-nos Guedes de Magalhães que não é certa a data do abandono das marcas postais de barras, para GOA, mas não deve andar longe de 1881; ora como em DAMÃO, a estação postal inglesa só encerrou em Abril de 1884, não pode haver dúvidas quanto à utilização das marcas inglesas até aquela data. Mas a seguir ao encerramento daquela estação há como uma lacuna de informações na generalidade da literatura ao nosso alcance, só havendo referência ao uso das marcas circulares datadas que Guedes de Magalhães classificou de D4, D5, etc., afirmando ainda o mesmo autor que “é nas reformas de 14 de Abril de 1884 e 24 de Fevereiro de 1888 que teremos de procurar subsídios para estabelecermos as listas das estações postais e, consequentemente, a relação dos carimbos possivelmente existentes”. |
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Ora a reforma
de 1884 já lá vem indicado a estação postal de DAMÃO, bem como na
de 1888, obviamente, mas quanto a marcas obliteradoras, só vemos referência
à falsificação da marca circular, com data de 2 de Novembro, para com
ela serem inutilizadas as falsificações “Fournier” dos selos Tipo
“Coroa” e, no Tipo D5 (o de círculo pequeno, de 19 mm de diâmetro)
sobre o selo de “COROA”, com data ininteligível , vemos a obliteração
circular com a palavra DAMÃO.
Apareceu no
entanto um coleccionador de Goa, o Sr. Wilfredo de Souza, que nos
presenteou com a fotocópia de um bilhete postal que não queremos
deixar de reproduzir em tamanho reduzido, onde se pode ver na obliteração
do selo de ¼ de tanga, uma oval de barras duplas, com a letra D no seu
interior; como marcação ou despacho apresenta o carimbo de DAMÃO, G.M.
Tipo D5, com a data de 28 Jl 84, data esta tão perto da do encerramento
da estação postal inglesa, que nos faz pensar ter sido mandada
executar para uso da nova estação postal, aproveitando a letra D,
inicial de DAMÃO, por já ter sido encerrada há bastante tempo a estação
postal de GOA que utilizava aquela letra – AGUADA. Essa
marca foi-se deteriorando, ou foram feitos novos carimbos pois nos selos
de D. Luís que se apresentam, por volta de 1886 já tinha outro
aspecto, passando mais tarde, como se pode ver no par de 6 reis, de
forma até pouco anacrónica, cada um deles com uma das marcas usadas na
época; ali se vê com toda a clareza a data de 11.JL.88; em todos estes
exemplares já a marca oval de barras com a letra D se apresenta algo
diferente ou gasta, em comparação com a do postal primeiramente
apresentado; a ampliação do “nativo” de 6 reis nada mais pode
adiantar. |
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(Continua no próximo número)) |