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BOLETIM DO CLUBE FILATÉLICO DE PORTUGAL

Nº 398 - Dezembro de 2002

JANTAR DE CONFRATERNIZAÇÃO COMEMORATIVO DOS 59 ANOS DO CFP

 E DE HOMENAGEM AO COMENDADOR JOSÉ RODRIGO DIAS FERREIRA

  Como referimos no “Relatório”, com o devido destaque, o evento em epígrafe, vamos transcrever, na íntegra, a “Mensagem” do Presidente da Federação Portuguesa de Filatelia/APD e Presidente da FEPA, Senhor Pedro Vaz Pereira, que foi lida, como referimos, pelo Presidente da Assembleia Geral do nosso Clube, bem como o discurso proferido pelo Presidente da Direcção do C.F.P..

Meu Caro Dias Ferreira

Meus Caros Consócios

 Estou em Chipre, mas como gostava de estar hoje aí com vocês todos, no dia em que homenageiam o meu grande Amigo Dias Ferreira.

 Homem da filatelia, 60 anos de dedicação, catalisador de muitas vontades e de nenhumas más vontades.

 História viva da nossa filatelia, Dias Ferreira é o conselheiro que todos gostamos de ter.

 Sensato, prudente, mas sempre omnipresente em toda a filatelia com uma subtileza que às vezes nem damos por ela.

 Filatelista ilustre e dos mais cultos embora diga que não colecciona, mas o que seria se o fizesse.

 Articulista de excelência, bibliotecário dos melhores, dirigente como poucos há, amigo do seu amigo, porque inimigos não lhe conheço.

 ORDEM DE MÉRITO da Federação Portuguesa de Filatelia, por mérito do muito que fez pelo seu Clube Filatélico de Portugal, pela Federação, pela Filatelia de Portugal.

 Pode honrar-se de ter sido um dos poucos que me enganou, quando há mais de 20 anos me telefonou e me disse com subtileza “Oh! Vaz Pereira aquilo são só umas “reuniõeszitas” nada de muito trabalho” e vejam lá meus amigos nos “sarilhos” em que me meteu.

 Mas, obrigado Dias Ferreira por me ter enganado, porque tê-lo como colega e Amigo foi algo marcante para mim e de grande prazer e só faço votos para que assim possa continuar a ser por muitos anos, mesmo quando “rabujamos” um com o outro, às vezes fartos de alguns que não são como o meu bom Amigo Dias Ferreira e mais não digo.

 O meu caro Comendador Dias Ferreira tem entre muitas, uma virtude que eu aprecio, É TEIMOSO, MUITO TEIMOSO.

 Há muito que lhe digo que já deveria ter sido Presidente do Clube Filatélico de Portugal, mas ele teimoso, nunca me fez a vontade.

 Assim tenho que ser eu, também teimoso a fazer a vontade a mim próprio, não por mim, mas por justiça para com o homem filatélico, o amigo, a figura que é o nosso Comendador Dias Ferreira.

  Assim na próxima Assembleia Geral do Clube irei propor uma alteração aos Estatutos do Clube Filatélico de Portugal, criando o cargo de Presidente Honorário do Clube, com as regras que se aplicam a homens como Dias Ferreira e nessa mesma Assembleia vou propor Dias Ferreira para Presidente Honorário do Clube Filatélico de Portugal e se ele agora não me fizer a vontade, então sim aí vamos ter uma grande “rabujice” entre os dois.

 Dias Ferreira, meu querido Comendador, desta terra longínqua estou neste momento consigo, convosco e daqui receba um longo abraço de grande estima, grande consideração e amizade e um grandíssimo obrigado pela filatelia, pela amizade, pelo saber, pela disponibilidade, por tudo de que agora não me lembro.

                                                                                                           PEDRO VAZ PEREIRA 

 

Minhas Senhoras, meus Senhores

Meus amigos

 Aproxima-se a hora de passar o testemunho do cargo de Presidente da Direcção do CFP já que, prestes a terminar o nosso 3.º mandato, resolvemos, há muito, não nos candidatarmos a um 4.º. Decisão tomada de livre vontade, diga-se de passagem, pois ninguém nos pressionou para tal, o que muito nos agrada dizer. Mas... há tempo para tudo.

Não vamos, por inoportuno, fazer o balanço de quase 9 anos que estivemos ao leme do maior Clube Filatélico do país, período durante o qual uma equipa coesa e competente contribuiu, ela sim, para levar o barco a bom porto, o que tornou, naturalmente, menos penosa as responsabilidades do principal dirigente. Por isso, as minhas primeiras palavras são de agradecimento sincero a todos os colegas com que trabalhei.

Momentos agradáveis houve muitos, desagradáveis houve alguns o que é natural na vida de uma agremiação com a dimensão do CFP que, com satisfação o dizemos, se encontra, sob todos os aspectos, numa situação nada preocupante, embora tenhamos de reconhecer que há necessidade de adaptar as suas estruturas às técnicas modernas.

Esta pesada herança deixamos a quem nos suceder.

Mas hoje é dia de festa, dupla festa.

Comemoramos os 50 anos de vida do nosso Clube, facto que, só por si, deve ser motivo de orgulho de todos os associados espalhados por quase todos os continentes. A sua “provecta” idade e o prestígio de que disfruta aquém e além fronteiras são motivos, mais do que suficientes, para merecer o respeito de todos os filatelistas dignos desse nome.

Por tudo o que CFP representa, sentimo-nos muito honrados por ter sido seu presidente durante o tempo que já referimos.

Simultaneamente, aproveitámos esta ocasião (bela ocasião) para homenagear o fundador do CFP e seu actual vice-presidente da Direcção SR. Comendador José R. Dias Ferreira pelos quase 60 anos de uma dedicação sem limites ao Clube que ajudou a fundar. Nos últimos tempos é, por vezes, com certo sacrifício que se desloca ao seu Clube por motivos de saúde, pois a idade não perdoa, mas a verdade é que continua a ser o trabalhador n.º 1 do CFP e, como é natural, dado que foi seu fundador é o único que “conhece todos os cantos à casa”.

Estamos certos que os futuros dirigentes do nosso Clube, pessoas bem formadas, realistas e dotadas de bom senso não vão prescindir, pois seria arriscado e até injusto, da prestimosa colaboração do nosso amigo Dias Ferreira dado o seu saber de experiência feito.

Os seus colegas da Direcção, quase no fim do mandato, querem agradecer-lhe toda a colaboração que lhes prestou e apoio que lhes deu em todas as ocasiões e por isso, como prova de gratidão, resolveram, por unanimidade, distingui-lo com a medalha de prata, com o emblema em ouro, do Clube Filatélico de Portugal.

Pedimos a todos os presentes que, de pé, aplaudam o nosso homenageado, como merece.

Disse.

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