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Clube Filatélico de Portugal |
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BOLETIM
DO CLUBE FILATÉLICO DE PORTUGAL Nº 398 - Dezembro de 2002 OPEN CLASS - As Missões Laicas, alguns apontamentos - I Parte Pedro Vaz Pereira |
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O
ENSINO COLONIAL Um ano após a implantação da República foi nomeada por portaria de 29 de Dezembro de 1911 uma comissão para estudar a situação do Padroado Português do Oriente e para se debruçar sobre as bases da reforma das Missões Ultramarinas e do Colégio situado em Sernache do Bomjardim . Foram na altura apresentadas cinco teses, tendo sido seguida como a mais viável aquela que se designava por “ Ensino Colonial na metrópole e nas colónias, seu custo “ de autoria do Deputado e ilustre republicano Dr. Abílio Marçal. Esta tese foi publicada e apresentada em Abril de 1912 e contemplava escolas de ensino laico e religioso e fazia um termo de comparação mostrando claramente as grandes vantagens das laicas em relação às religiosas . O
COLÉGIO DAS MISSÕES LAICAS, SUA GÉNESE, FORMAÇÃO E ACÇÃO. O Colégio das Missões laicas era um dos mais antigos estabelecimentos de Portugal que se dedicava à missão civilizadora nas colónias. Foi fundado por carta de lei de 12 de Outubro de 1856 e posteriormente reformado pelo Decreto de 3 de Dezembro de 1884, cujos estatutos estavam ainda em vigor em Fevereiro de 1912. Esse decreto de 1884 atribuía à igreja católica o exclusivo da acção civilizadora nos territórios ultramarinos. Esse decreto reformador de 1884 estabelecia que no Instituto das Missões fossem criadas as cadeiras de desenho, higiene colonial e medicina, física e química aplicadas às artes e indústrias e mandava ainda ministrar aos missionários noções de comércio e economia política. São criadas ainda a cadeira de ginástica e uma escola de artes e ofícios. Considerado de grande avanço para a época, aquele decreto tinha como objectivo a preparação dos agentes civilizadores, dotando-os de um conjunto de conhecimentos que teriam que aplicar naquelas longínquas paragens ultramarinas onde teriam que exercer a sua acção junto das populações indígenas . Porém, tal reforma nunca foi executada o que fez com que os agentes civilizadores apresentassem um estado de preparação que não era o mais adequado para a tarefa hercúlea que teriam que desempenhar . Por força de tal decreto nunca ter sido aplicado, o Colégio das Missões Ultramarinas de Sernache do Bomjardim passou a ser considerado um simples seminário diocesano, sem capacidade para preparar missionários para o desempenho civilizador a que se propunham. Os governos de então na ausência de pessoas preparadas passaram a recrutar missionários estrangeiros, de preferência os franceses da Congregação do Espírito Santo, aos quais pagavam algumas dezenas de contos por para civilizar as nossas possessões ultramarinas, o que para a época eram já verbas importantes. Tal procedimento era completamente desaconselhado e mesmo errado, já que o padre Campana chefe das missões de Landana e pago pelo governo de Portugal escrevia o seguinte no seu relatório enviado para Paris: “ Estou educando filhos a Deus e creando subditos para a França “ . O ensino no Colégio das Missões ficou então reduzido ao ensino do português, francês, aritmética, latim, literatura e filosofia e ao curso de teologia, que tinha a duração de três anos. O estado de desorientação pedagógica atingiu um ponto de completo desnorte ao serem introduzidas as cadeiras de filosofia relativa a S. Tomás de Aquino e a aula de música convertida em canto coral. Diziam os críticos da altura que na realidade “ o que mais interessa à civilização das raças africanas – ( é a) filosofia tomista e ( o ) cantochão “. O Colégio das Missões tinha uns estatutos e regulamentos completamente ultrapassados e inquisitoriais. Os alunos que para lá entrassem nunca mais poderiam sair antes de acabarem o seu ensino e se alguma vez decidissem abandonar o curso teria a família de pagar 150$000 réis por cada ano de ensino, o que para aquela época era uma verdadeira fortuna. Era-lhes ainda vedado o contacto com a família e amigos e o ensino que recebiam era destinado à formação de padres e não de missionários. As cartas enviadas e recebidas eram censuradas pelo reitor do Colégio. Outro aspecto crítico do Colégio era a despesa exorbitante feita por tal instituição de ensino. Ao tempo eram gastos por ano 26.816$438 réis, tendo sido ordenados em cinco anos apenas 9 padres, o que era uma média de custos elevadíssima . Perante esta caótica situação e com o advento da República iniciou-se então um movimento de tentativa de reforma do sistema educativo do Colégio, mas para isso era necessário o acordo e cumplicidade do poder político da 1ª República. Numa carta que tenho em meu poder enviada ao Dr. Abílio Marçal e datada de 15 de Abril de 1912, António Costa, grande figura republicana do Porto, escrevia: “ O Elysio Mello também aqui está e na quarta- feira jantamos vários amigos com o Affonso Costa no Tavares. Hontem porém, que o Elysio Mello foi com ele a Setubal encarreguei-o de lhe fala. Disse que se está ocupando com muito interesse do Colégio para ter uma solução rápida” Fig.1. |
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Em 30 de Abril de 1912 nova carta de António Costa para o Dr. Abílio Marçal onde escrevia: “ Lembrei-lhe o assunto do Collegio, disse-me que toma todo o
interesse e pediu-me para lhe telegraphar amanhã para a Câmara dosa
Deputados a lembrar-lhe. Assim farei, amanhã, ao meio, telegrapho-lhe a lembrar-lhe e pedindo que tudo se faça d´accordo com os desejos do amigo Dr. Abílio Marçal. Está bem? “ fig. 2 |
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Em
10 de Agosto de 1912 em nova carta enviada por António Costa era escrito
o seguinte: " Disse-me o Affonso (Costa) que o negócio do colégio já estava regulado “ Fig. 3. |
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