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CFP |
Clube Filatélico de Portugal |
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BOLETIM
DO CLUBE FILATÉLICO DE PORTUGAL Nº 399 - Março de 2003 A Primeira Mala Aérea Transatlântica Directa Brasil-Europa” em 1930 não se realizou como o previsto Fernando Oliveira |
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As grandes comunidades
de emigrantes de alguns países europeus, que devido à I Guerra Mundial
se deslocaram para países da América do Sul, fizeram com que no após-guerra
empresas francesas, alemãs e mais tarde italianas desenvolvessem
actividades ligadas ao transporte aéreo. O feito de Artur Sacadura
Cabral e Carlos Viegas Gago Coutinho ao atravessarem o Atlântico Sul em
1922, num hidroavião utilizando técnicas de navegação aérea até
então nunca utilizadas ainda não tinham desvanecido e incentivavam
esse desenvolvimento. Em 1924 o industrial e construtor aeronáutico francês Pierre George Latécoere através da sua empresa Compagnie Générale d’Entreprises Aeronautiques (C.G.E.A), solicita ao Governo Brasileiro a concessão e autorização para o estabelecimento de rotas aéreas para o transporte de passageiros e correio, ligando o Brasil à França com extensão até à Argentina. |
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Fig. 1 |
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A
inexistência de regras e regulamentos que protegessem o espaço aéreo
brasileiro, retardam a concessão das autorizações até então
formuladas. O Decreto-Lei n.º 4.911 elaborado pelo Ministro dos
Transportes do Brasil, promulgado pelo Presidente da República em 12 de
Janeiro de 1925 regulamenta a actuação da aviação civil e a utilização
do espaço aéreo brasileiro. Antecipando-se
aos alemães e italianos, Pierre G. Latécoère aproveitando as
facilidades do Decreto-Lei 4.911, funda a Companhia Brasileira de
Empreendimentos Aeronáuticos afiliada da C.G.E.A., cuja autorização
da sua constituição é promulgada pelo Decreto-Lei 17055 de 1 de
Outubro de 1925. A
constituição da firma em território brasileiro tinha em vista
abreviar a concessão das licenças de exploração. A
companhia brasileira agora constituída renova o pedido anteriormente
formulado pela C.G.E.A. para o estabelecimento de uma rota entre Pelotas (Rio Grande do Sul) e o Recife com reserva para a extensão desta até ao Natal,
ilha Fernando Noronha e rochedos S. Pedro e S. Paulo. Em
11 de Abril de 1927 Pierre George Latécoère desanimado com os atrasos
do Governo Brasileiro e sem dinheiro para prosseguir as suas actividades
aeronáuticas em França vende a C.G.E.A. e a sua afiliada Companhia
Brasileira de Empreendimentos Aeronáuticos ao seu compatriota Marcel
Boniloux Lafont, dedicando-se somente ao desenvolvimento e fabricação
de aviões com o seu nome, na fábrica de Bordéus. A 30 de Abril do mesmo ano a C.G.E.A. muda de nome para Compagnie General Aeropostale ou simplesmente Aeropostale. Marcel Boniloux Lafont funda seguidamente a Aeroposta Argentina e estabelece contratos com o Governo Argentino para o transporte de correio via aérea com o exterior. Também os contratos com o Governo Brasileiro que tardavam em chegar se realizam finalmente.
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Fig. 2 |
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Em
1 de Março de 1928 é iniciado em Buenos Aires pelo famoso piloto francês
Jean Mermoz o primeiro voo postal com destino a Paris. O voo era
interrompido em Fernando Noronha cuja autorização de amaragem dos
Hidros da Aeropostale já tinha sido concedida e seguia via marítima até
Bathurst no Senegal. Em sentido inverso inicia-se no dia 2 do mesmo mês,
partindo de Toulouse um voo postal para Bathrust afim do correio ser
embarcado no navio que entretanto zarpara de Fernando Noronha. A
tecnologia aeronáutica existente na altura ainda não permitia a
transposição num só voo das cerca de 1.100 milhas náuticas que
separavam os portos mais próximos entre os continentes africano e
americano. O
tempo de transmissão entre Paris e o Rio de Janeiro, com a ligação
por barco era de 8 dias, mas Marcel Boniloux Lafont tinha o sonho de
reduzir esse tempo. Assim em 10 de Maio de 1930 inicia-se em Paris o
primeiro voo comercial directo, programado tendo em vista reduzir para
metade esse tempo de transmissão. O voo da Aeropostale efectuado num
“Latécoère 28 Comandante de La Vaulx” teve como piloto Jean Mermoz,
co-piloto Jean Dabri e rádio-operador Leopold Gimie, Ver Fig. 2. O voo de retorno do “Comandante de La Vaulx” inicialmente marcado para 8 de Junho não se realizou devido a avaria no momento da descolagem do “Latécoère 28”. A carta (Fig. 3) que apresentamos aos nossos leitores preparada para embarcar no “Comandante de La Vaulx” farnquiada com 5.500 Rs., porte correcto para a distância entre Santos e Lisboa, exibe um excelente carimbo linear não obliterante a vermelho. |
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Devido a avaria do “Laté 28” “Comandante de La Vaulx” o transporte das malas avião foi efectuado como até então (via barco entre Fernando Noronha e Bathurst). O carimbo de chegada a Alicante ponte de escala é de 17 de Junho de 1930, que confirma o atraso. |
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Fig. 3 |